sábado, 6 de agosto de 2016

Partido Comunista Brasileiro- RJ: A chacina cotidiana no Rio de Janeiro

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terça-feira, 16 de abril de 2013

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Trump Towers na Francisco Bicalho

Trump towers na Francisco Bicalho

Leio hoje no jornal O Globo que o grupo Trump planeja construir cinco espigões na avenida Francisco Bicalho. O projeto, segundo a reportagem do  jornal, divide especialistas. Enquanto alguns, como o arquiteto Augusto Ivan, participante dos primeiros estudos para a revitalização do porto, afirmam que não há marcos arquitetônicos que possam sofrer interferência por parte dos planejados espigões, os Instituto dos Arquitetos do Brasil, na pessoa do arquiteto Carlos Fernando de Andrade, avalia que  o problema não estaria na altura das torres, mas na ocupação de tão grande área (322 mil metros quadrados, dez vezes mais do que a área do terreno) que acarretaria problemas associados ao adensamento.


Não sou arquiteto, mas um cidadão carioca certo de que tem sido perpetradas diversas intervenções arquitetônicas na cidade que são verdadeiras agressões. Basta lembrar uma das mais recentes, o plano de construção de um resort na área de proteção ambiental na Barra da Tijuca, com o beneplácito do alcaide. Estou certo de que o Rio precisa de mais áreas verdes, parques e jardins. 

A região da Francisco Bicalho, completamente depredada e abandonada merece, certamente, mais um parque no sentido de amenizar o calor sufocante da região. Discordo do sr. Augusto Ivan quanto aos marcos arquitetônicos. A velha estação da Leopoldina é certamente um destes marcos. As planejadas torres agridem e desfiguram a perspectiva de quem olha do porto, quebrarão a visão do maciço da Tijuca, interpõem ao olhar mostrengos de vidro e concreto inadequados para o clima da cidade. Não sei dos detalhes do projeto, mas fala-se de "brise soleils" para atenuar os efeitos da radiação solar. Vale lembrar que a localização dos mostrengos fica no sentido norte-sul, portanto a incidência dos raios solares ocorrerá nas laterais das torres durante todo o dia. Além dos aparadores solares, o que será feito? Construção de um sistema de refrigeração central, por conseguinte mais gasto de energia?

O Rio precisa de mais espaços de convivência e encontros, mais áreas verdes. As curvas das montanhas da cidade, fonte confessa de inspiração do grande Niemeyer, não merecem mais espigões, mas monumentos à beleza e diversidade da sua natureza. 

Ocupemos a Francisco Bicalho com canteiros, árvores frutíferas e com a irresistível vocação do carioca para ser feliz.


quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Altamiro Borges: O início preocupante do governo Dilma

Altamiro Borges: O início preocupante do governo Dilma
É verdade, preocupa sim. Há outros fatos menores que são sintomáticos: a virtual mudança de política do MinC, com a 'rediscussão' da questão dos direitos autorais, agora sob a orientação do ECAD; a tímida atuação do Ministérios das Relações Exteriores nos recentes acontecimentos no Egito, foram apenas 3 notas e uma final em apoio à 'transição'.
O PIG está exultante... Acho que a militância, virtual e real tem que estar atenta e participante.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Palatul Lloyd

De acordo com a Wikipedia em rumeno, trata-se do palácio Lloyd, construído entre os anos 1910-1912 pelo arquiteto Leopoldo Baumhorn. Antes sede da Bolsa Agrícola e agora, a reitoria da Universidate Técnica de Timisoara. Trata-se de um lindo prédio, de estilo art decó. No seu térreo funciona o restaurante Lloyds, que mantém os traços da grandeza de antes.
O restaurante, com pesadas cortinas de veludo verde, pesadas cadeiras e arrumação das mesas impecável, é uma parada obrigatória para quem vai à praça Victorei, em Timisoara. A comida é excelente oferecendo desde a culinária italiana à tradicional rumena. Para quem chega com euros, o preço é excelente.
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A Loba de Timisoara

A foto ao lado, é uma tomada da praça Victorei de um dos edifícios mais interessantes de Timisoara, Romênia. Em primeiro plano, uma réplica da loba amamentando Rômulo e Remo. A Romênia sente-se, de certa forma, herdeira do grande império.

Timisoara, Timeswar
Nunca imaginei estar em algun dia em Timisoara, nem sequer ouvira falar de tal cidade. Da Romênia, apenas algumas lembranças, todas elas relacionadas ao período em que o país foi governado (com mão de ferro) por Nicolae Ceausescu, no período da guerra fria e da dominação militar da União Soviética.
Pouco se falava da Romênia que era tida como um estado comunista que buscava uma posição mais independente da centralização soviética. Cheguei a pensar em estudar química lá, tendo ido uma ou duas vezes ao seu consulado, no Rio de Janeiro, em uma pequena rua com o nome do país, no bairro do Cosme Velho, onde fui recebido de forma simpática pelos funcionários, um pouco surpresos com o interesse de um estudante brasileiro sobre o seu país. Ganhei umas publicações e a revista România e o meu interesse pelo país ficou mais ou menos por aí, restando apenas a estranha sensação de um país de língua românica.
Pois bem, eis que em 2010 fui à Romênia para participar de um congresso sobre a Internet. O Congresso, realizado na cidade de Timisoara, organizado pela IADIS, ocorreu na Universidade Tecnológica de Timisoara. Foi um bom evento, simples, bem organizado, no qual durante quatro dias se discutiram assuntos bem relacionados com as perspectivas futuras da Internet, na educação, medicina, negócios etc.

A Chegada
Aterrissamos no aeroporto da cidade por volta da meia-noite em um vôo proveniente de Munique. Fazia frio, estava escuro. Enfrentamos a fila da imigração, onde, mais uma vez o funcionário nos perguntou por que motivo o carimbo da Polícia Federal do Brasil era pouco perceptível. Tomamos um taxi, com um certo medo, pois muitas pessoas avisaram para ter cuidado, pois, afinal éramos estranhos em uma terra estranha.
Um longo caminho até o Hotel Central, em uma cidade deserta, com um motorista de taxi bastante orgulhoso da iminente entrada na Comunidade Européia de Nações. Inocentes, mal sabem que essa entrada será precedida por uma alta geral dos preços e desemprego, como modelo do receituário recomendado pelos luminares neoliberais que, a despeito da crise americana, receitam-nos como condição sine qua non para sanear o país, preparando-o para o paraíso do Kapital.
Chegamos no hotel, calor...o aquecimento estava à toda, o que para nós indicava frio extremo na cidade. Fez frio, é verdade, mas não de forma absolutamente insuportável para brasileiros vindos do calor do Rio de Janeiro. Estranhamos a insistência do recepcionista em ficar com os passaportes, de qualquer forma o passaporte ficou conosco...
O quarto do hotel recendia a tabaco. Parecia que tinha havido um encontro de fumantes invetereados naquele quarto. Depois descobrimos que fuma-se muito na Romênia. Todos fumam em todos os lugares. Ainda não existe essa história do 'é proibido fumar...' Fuma-se na hora do café da manhã, no restaurante...
Como caracterizar a decoração do hotel (esqueci de tirar fotos...) Algo como anos 60, um linóleo recobre parte da parede, para evitar que a cama danifique a parede. A mesa e o chão recobertas com um material marrom lembrando madeira. Cortinas grossas, reforçam o odor do cigarro e dão um clima meio triste, meio soturno ao ambiente. Um frigobar totalmente vazio, nem mesmo água. Fomos dormir...o que nos reserva o dia de amanhã?

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sexta-feira, 19 de março de 2010

Dona Marta

Interessante como no Rio tem lugares tão longe e tão perto. Quem reside no bairro de Botafogo, precisamente na rua São Clemente, como eu, acostumou-se (com um misto de receio e curiosidade) a ver a pequena comunidade do Dona Marta (ou Santa Marta?). Depois de alguns episódios traumáticos, o dona Marta está, pouco a pouco, se inserindo na vida do bairro. Serão precisos alguns anos de trabalho mais difícil (educação, saúde, bem estar social) para finalmente se resgatar a dívida que a cidade tem para com o pessoal do Dona Marta, em particular, e de todas as comunidades da cidade.
Acho curioso o nome comunidade em contraposição ao bairro, mais pomposo e "refinado".
Um dia, perto do natal (dia 23, talvez) subi o teleférico. Tinha curiosidade de ver o panorama lá de cima. Imaginava não seria muito diferente da vista do Mirante Dona Marta, um pouco mais acima e acessível por outro caminho. Essas são algumas das fotos de uma vista maravilhosa a partir de uma comunidade simples, educada e com o maior cuidado para receber o 'turista' com carinho e atenção.
















Essa é a visão do Pão de Açucar, visto da estradinha que liga o bairro de Laranjeiras ao topo do morro.
O rochedo é visto no meio de um fragmento da Mata Atlântica, sob uma perspectiva completamente diferente.


Logo abaixo, a baia de Guanabara, tão linda, tão calma!
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sábado, 10 de janeiro de 2009

Uma nova Guernica

É impossível saber das notícias de Gaza, sem que se deixe de pensar nas inúmeras atrocidades cometidas ao longo dos tempos, e mais precisamente nos recentes. A lista, infelizmente, é interminável: Guernica, Stalingrado, Leningrado, o gueto de Varsóvia, Auschivitz, Dachau, Sobibor, Mi Lai, Sabra e Chatilla. Todos estes nomes remente ao lado obscuro e das maquinações políticas do Kapital.
Assistimos todos, de braços cruzados a mais um crime perpetrado pelos sionistas de Israel, sob o comando dos militaristas americanos. Eles querem, no âmbito interno, empurrar o presidente eleito a compactuar com a política de esmagamento dos direitos humanos e de busca de soluções pacíficas e negociadas para a situação criada pela repetida invasão dos territórios palestinos oficializada em 1948, com a criação do estado de Israel e continuada nas sucessivas guerras de expansão sionistas.
Transformaram a região em um dos maiores barris de pólvora de que já se teve notícia. Ato contínuo inviabilizaram todas as tentativas democráticas e de coexistência pacífica na região, assassinando, colocando títeres nos lugares de governantes comprometidos com a paz e o progresso da região. Para citar um exemplo recente, o próprio Saddam Hussein, foi colocado no poder por agentes norte-americanos, em uma tentativa de barrar o surgimento de um Iraque democrático e popular.
Não se pode disfarçar o horror visto nas repetidas fotos publicadas pelas agências estrangeiras, um horror que se assemelha aqueles representados tragicamente por Picasso e Goya.
Na imagem do horror o sol se põe entre a fumaça das bombas sobre gaza
Onde está Andrei, comparando o horror da guerra com as imagens de Goya.
Eu sou Goya!
Um corpo de mulher pende preso pela garganta no poste da praça!
O ano de 2009 iniciou-se então com um horror, não com os fogos de artifícios para alegrar dois milhoes de pessoas na praia de Copacabana, mas a tenebrosa chuva de medo e terror, despejada pelos modernos F16. Esta cruel manifestação do que acontece com uma ciência a serviço da destruição em massa.
Ao lado do minarete a coluna da fumaça dos bombardeios.
A Organização das Naões Unidas assite, com os seus rituais de reuniões do Conselho de Segurança o massacre de quase 1000 pessoas, incluindo na sua maioria, crianças, velhos e mulheres
Castelos com rijas
Muralhas e cristas
Donzelas formosas
E altivas, avistas,
Soldado e conquistas!
Ferrenho é o empenho,
O prêmio excitante!

E que alto e bom som
Ressoe o clarim,
Ao júbilo e à folga,
E à ruína outrossim.
Isso é arremesso!
Sim! Isso é viver!
Donzelas e castelos,
Se têm de render.
Ferrenho é o empenho,

O prêmio excitante!
E vão os soldados
Seguindo para adiante. (Fausto)

Nuvens de fumaça cobre a cidade bombardeada. O massacre se dá com a mobilização de meios infinitamente superiores ao das vítimas. Covardia esse é o nome.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Estaríamos à beira do crash?

Uma das estranhas características das análises e do noticiário sobre a turbulência que a economia americana está passando é que os fenômenos são apresentados como se tivessem realidade física, ou mais precisamente, acompanhando o raciocínio de Mésáros, como se tivessem objetividade absoluta. Assim, as bolsas, o "mercado" surgem para estes analistas como coisas que, tendo uma dinâmica própria, se opusessem aos indivíduos, ameaçando-os.
Não seria este raciocínio, contudo, o fruto de uma visão fetichizada, já apontada por Marx? Os mecanismos de mercado que operam de modo "descontrolado" nas economias capitalistas não indicam, precisamente, a natureza das relações sociais neste estágio do capitalismo? Não deveríamos pensar as crises financeiras como um mecanismo de superprodução da mercadoria dinheiro? Se isto for verdade, então, poderíamos explicar - a crise da liquidez como o reflexo do fato de que a mercadoria dinheiro foi gerada sem a contrapartida produtiva. As bolsas transformaram-se em um gigantesco cassino. A bolha, na imagem preferida de muitos articulistas, desprendeu-se da sua base concreta e, carente de substância, pois que se tratava apenas de um fetiche, de um símbolo, explodiu.

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Os Canudos do José Celso

Uma montagem teatral do José Celso Martinez Correa é sempre um evento de natureza ímpar. No primeiro dia, quando saí do Espaço Cultural da Cidadania contra a Fome, onde a peça foi apresentada aqui no Rio de Janeiro, fiquei pensando sobre a montagem que variava desde o teatrão clássico até uma ópera moderna (o comentarista do The Globe, falava de ópera bufa) com fortes influências das montagens carnavalescas do Rio de Janeiro.

Já tinha visto várias montagens do Zé Celso. Todas fantásticas. A primeira, "Os pequenos burgueses" encenada no Teatro da Maison de France, foi para mim uma revelação. Conhecia a mais famosa obra de Gorki "A Mãe" e a revelação daquele drama da pequena burguesia russa, encurralada pelo medo da revolução e a opressão do czarismo serviu de paralelo para analisar vários ambientes tanto de minha família, que nem tão pequeno-burguesa assim era, como de amigos de escola. Acompanhei outras peças: Galileu Galilei, surpreendente que me fez tomar contato com Brecht, logo depois encenado com a peça "A Selva das Cidades".

Assim, depois de ver encenado o "Homem I", lembrei de Oscar Niemeyer, comentando a sua obra, em particular Brasília. "Você pode não gostar da minha arquitetura, mas uma coisa é certa, você nunca terá visto nada parecido". Assim como Niemeyer na arquitetura, o teatro para Zé Celso é invenção. É fazer diferente. Quem poderia imaginar que o texto pesado de Euclides da Cunha pudesse ser transposto com um viés tão moderno para o teatro? A montagem não linear traça com momentos de brilhantismo o paralelismo entre os acontecimentos completamente inundados tanto pela história oficial, com a sua verborragia inútil, quanto fisicamente, com o alagamento da região de canudos para a construção de uma represa.

A peça deve ser vista sob múltiplos ângulos. Como uma grande alegoria da História. Como não pensar em Canudos sem pensar em Guernica? Em Kosovo? Em Bagdad? Em Darfur? Estes acontecimentos ocorridos em momentos da história separados no tempo encontram-se na memória, nas lembranças e na comparação dos relatos das suas vítimas, dos registros históricos. Como se o espectro de Canudos persistisse, ainda que não tivesse restado um sobrevivente para contar a história. Mas, a história é recontada diariamente nos diferentes massacres, na violência perpetrada sobre as populações indefesas, presas fáceis, sejam do banditismo, dos fundamentalismos, e da violência policial. É como se houvesse um terrível coro das vítimas.

Os Sertões conforme recontado/relido por Zé Celso nos traz a confluência de fatos históricos que se encontra em outro plano. O plano da memória? O plano dos nossos medos? Os Sertões de Zé Celso reverberam nas Veredas de Guimarães. Ao falar sobre o Homem, sobre este Homem brasileiro, que interessante a plasticidade que assumem os corpos "imperfeitos", misturas de várias etnias. E que interessante a interpretação feita: pelo fato de não se definir em uma raça, somos ao mesmo tempo a soma de todas elas, mas também a sua superação dialética. Aquela dialética reversa que explica e captura o movimento detectado pelos modernistas antropofágicos de sermos a soma de todos os erros e nesta integração, a sua superação dialética. Esta superação que faz uma cultura nacional multicultural, antropofagicamente aberta a todas as outras. Interessante o tributo a Oswald de Andrade na referência à deglutição do Bispo Sardinha, como o início na nossa própria era.

Tal como Adriana Calcanhoto se reportava ao episódio de "As bacantes", vamos comer Zé Celso, vamos comê-lo cru!

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

A atualidade do Manifesto Comunista

Um dos capítulos mais interessantes das Aventuras do Marxismo de Marshall Berman fala da atualidade do Manifesto Comunista. Sempre achei admirável a retórica a e a veemência do Manifesto, mas não tinha ainda atentado para a sua atualidade focalizada por. Berman. chama a atenção para este fato, principalmente ao citar as palavras de Marx e Engels: “o constante revolucionamento da produção, a ininterrupta perturbação de todas as relações sociais, a infinita incerteza e agitação, distinguem a era burguesa de todos os períodos anteriores. Todas as relações fixas e rapidamente solidificadas, com sua coleção de idéias e opiniões veneráveis são varridas do mapa; todas as relações recém-formadas tornam-se obsoletas antes de terem tempo de se calcificar. Tudo o que sólido desmancha no ar, tudo o que é sagrado é profanado, e os homens são por fim forçados a encarar com sentidos sóbrios as reais condições de suas vidas e suas relações com os outros homens”. Além de ter motivado uma interpretação interessante de Berman, esta passagem nos faz refletir sobre a atualidade do Manifesto.
Pensar a atualidade do socialismo pode parecer algo fora to tempo, embora, é bem verdade as questões e os problemas propostos pelo capitalismo globalizado não tenham como ser resolvidos nos quadros da Sociedade do Capital, ainda não se conseguiu formar uma alternativa conseqüente nos quadros da esquerda para estes problemas.
Grande parte da esquerda, depois da queda do Muro de Berlin, ficou perdida sem pensar soluções, e não foram poucos que se deslocaram para o campo da direita ou quanto muito para o centro. Cabe, contudo uma pergunta. A luta pelo socialismo não estaria passando por uma nova fase?
A atual fase de aprofundamento da globalização, agora em regime planetário, fornece um vasto material para se pensar. Deleuze e Guatarri, no Anti-Édipo utilizaram a idéia da desterritorialização como um dos elementos para se entender o movimento da sociedade burguesa moderna. O capitalismo, já na sua fase descrita por Marx, e agora, caracteriza-se por um intenso movimento de desterritorialização e franqueamento de barreiras e fronteiras. A sua lógica é a da integração de processos e inclusão de economias e sociedades dentro do esquema geral do modo de produção capitalista.
O modo como esse processo ocorre com o aprofundamento da divisão do trabalho, e a conseqüente alienação do trabalhador, agora não apenas proletários, mas os profissionais liberais, artistas, cientistas, todos agora inseridos no esquema de vender o seu tempo, alienar parte da sua vida para garantir o seu consumo, seja como diz Marx, com bens necessários ao estômago ou a fantasia. Assistimos a um processo de alienação em escala mundial.
Sob outro aspecto, este processo de alienação, no aprofundamento da divisão do trabalho, acirra e estende o caráter fetichista e a transmutação das relações entre homens como relações entre coisas. Agora, o reino das mercadorias expandiu-se a ponto de incluir desde sapatos até artigos científicos. Tudo inexoravelmente se integra na lógica do capital.
Dialeticamente o sistema ao mesmo tempo em que tem necessidade de maior integração, ampliar as possibilidades de fluxos de capitais e de informações, constrói uma ampla rede de comunicação, que tem crescido de modo exponencial, e, em tese traz a potencialidade de comunicação e integração também dos movimentos sociais. Será que a rede pode tornar-se a rede de uma consciência globalizada?
Um exemplo interessante desta consciência globalizada está, em minha opinião, no modo pelo qual o sistema Linux tem sido produzido. Vale a pena ler uma pequena história do Linux no “Rebel Code: the Linux and the Open Source Revolution”, de Gly Moody. O modo coletivo pelo qual o Linux e outros componentes são produzidos, não sinalizaria uma nova maneira de produzir coisas? É bem verdade que se trata de produtos “intangíveis”, mas curiosamente há um comitê, ou um grupo de coordena, testa e valida as propostas encaminhadas e finalmente incorporadas ao kernel do sistema. O mesmo ocorre com os diferentes integrantes dos pacotes vinculados ao GNU-Linux, aderentes ao General Public Licence. Será que os tempos estão mudados?