segunda-feira, 16 de março de 2009

Ambiente Virtual de Aprendizagem Colaborativa

Idéias para um trabalho.


Funcionalidade. Proporcionar um ambiente colaborativo para a construção coletiva do conhecimento. O modelo colaborativo seguirá os princípios básicos da construção coletiva do conhecimento, com base nas teorias construtivistas e dos modelos de geração de conhecimento organizacional.

Interfaces externas: os usuários interagirão com o sistema por intermédio de um portal da WEB. O sistema será do tipo orientado a serviços, dispondo de um servidor de páginas, servidor de mídias e um servidor de arquivos. A interação será feita, por intermédio de requisições usando o protocolo HTTP.

Desempenho: o sistema será desenvolvido pressupondo-se que o usuário disponha de conexão com a Internet, preferencialmente do tipo "banda larga". Garantindo uma resposta dentro dos padrões convencionais da Internet.

Atributos: por tratar-se de um sistema com base na WEB, o sistema deverá "rodar" em qualquer plataforma (Linux, Windows e MacOs), embora a plataforma preferencial seja Linux. O sistema deverá ter módulos de manutenção de forma que este procedimento não afete a operação do sistema.

Restrições: o sistema deverá ser de código aberto, disponibilizado livremente e sob licença GPL. A base de dados deverá satisfazer aos requisitos de integridade e segurança.

sábado, 10 de janeiro de 2009

Uma nova Guernica

É impossível saber das notícias de Gaza, sem que se deixe de pensar nas inúmeras atrocidades cometidas ao longo dos tempos, e mais precisamente nos recentes. A lista, infelizmente, é interminável: Guernica, Stalingrado, Leningrado, o gueto de Varsóvia, Auschivitz, Dachau, Sobibor, Mi Lai, Sabra e Chatilla. Todos estes nomes remente ao lado obscuro e das maquinações políticas do Kapital.
Assistimos todos, de braços cruzados a mais um crime perpetrado pelos sionistas de Israel, sob o comando dos militaristas americanos. Eles querem, no âmbito interno, empurrar o presidente eleito a compactuar com a política de esmagamento dos direitos humanos e de busca de soluções pacíficas e negociadas para a situação criada pela repetida invasão dos territórios palestinos oficializada em 1948, com a criação do estado de Israel e continuada nas sucessivas guerras de expansão sionistas.
Transformaram a região em um dos maiores barris de pólvora de que já se teve notícia. Ato contínuo inviabilizaram todas as tentativas democráticas e de coexistência pacífica na região, assassinando, colocando títeres nos lugares de governantes comprometidos com a paz e o progresso da região. Para citar um exemplo recente, o próprio Saddam Hussein, foi colocado no poder por agentes norte-americanos, em uma tentativa de barrar o surgimento de um Iraque democrático e popular.
Não se pode disfarçar o horror visto nas repetidas fotos publicadas pelas agências estrangeiras, um horror que se assemelha aqueles representados tragicamente por Picasso e Goya.
Na imagem do horror o sol se põe entre a fumaça das bombas sobre gaza
Onde está Andrei, comparando o horror da guerra com as imagens de Goya.
Eu sou Goya!
Um corpo de mulher pende preso pela garganta no poste da praça!
O ano de 2009 iniciou-se então com um horror, não com os fogos de artifícios para alegrar dois milhoes de pessoas na praia de Copacabana, mas a tenebrosa chuva de medo e terror, despejada pelos modernos F16. Esta cruel manifestação do que acontece com uma ciência a serviço da destruição em massa.
Ao lado do minarete a coluna da fumaça dos bombardeios.
A Organização das Naões Unidas assite, com os seus rituais de reuniões do Conselho de Segurança o massacre de quase 1000 pessoas, incluindo na sua maioria, crianças, velhos e mulheres
Castelos com rijas
Muralhas e cristas
Donzelas formosas
E altivas, avistas,
Soldado e conquistas!
Ferrenho é o empenho,
O prêmio excitante!

E que alto e bom som
Ressoe o clarim,
Ao júbilo e à folga,
E à ruína outrossim.
Isso é arremesso!
Sim! Isso é viver!
Donzelas e castelos,
Se têm de render.
Ferrenho é o empenho,

O prêmio excitante!
E vão os soldados
Seguindo para adiante. (Fausto)

Nuvens de fumaça cobre a cidade bombardeada. O massacre se dá com a mobilização de meios infinitamente superiores ao das vítimas. Covardia esse é o nome.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

O desenvolvimento das contradições

Uma característica que não se tem visto é o fato de que a base do desenvolvimento das sociedades, e em particular a sociedade capitalista, está no fato de que no seu interior vão se desenvolvendo contradições que no limite levam-na a uma mutação para um outro tipo de sociedade. Um dos aspectos contraditórios mais importantes na sociedade capitalista consiste na propriedade privada dos meios de produção e a socialização das forças produtivas.
O primeiro aspecto é transparente quando, no meio da crise de liquidez, pela qual passa o capitalismo contemporâneo, um dos prognósticos unânimes é que haverá uma concentração ainda maior do controle dos meios de produção. Como a faceta mais importante do sistema atual é a financeira, então ela vai se revelar na ampliação do grau de monopolização dos sistema financeiro mundial. Mas e no que diz respeito às forças produtivas? De que forma se dá a sua socialização? Existem, no interior do sistema, alguns indícios de um embrião de um novo modo de produção?
As duas perguntas decorrem de uma tentativa de analogia histórica. Quando do surgimento do modo de produção capitalista, durante algum tempo o novo modo de produção esteve sob o domínio político do sistema feudal. Isto é, a Revolução Gloriosa na Inglaterra, a tomada do poder político pela burguesia na França, para citar dois exemplos mais característicos, não marcam o advento do novo modo de produção, mas a tomada do poder político por parte da classe social que liderava, ou que tinha papel dominante neste modo de produção, isto é, a burguesia.
Existema alguns elementos no modo de produção capitalista atual que sinalizem a gestação de um novo modo de produção? Os antigos sistemas do "socialismo real", estão longe de corresponder a isto. Naqueles sistemas o metabolismo social do capitalismo pemaneceu. No plano político, por exemplo, na URSS, foi rapidamente desmantelado o sistema soviético e, em seu lugar, assume o aparelho partidário, de discurso único. O que correspondera a uma forma exacerbada dos mecanismos de controle do Capital. Assim, sob este aspecto, não houve uma continuidade da Revolução de Outubro.
Um processo interessante tem acontecido às expensas do desenvolvimento das tecnologias de informação e comunicação. Ainda que, de forma controlada e embrionária, a rede tem apresentado uma facilidade jamais vista para a circulação de idéias. E não só de idéias, o próprio sistema produtivo, pelo menos na indústria de software, tem operado graças a este desenvolvimento. Os produtores do chamado software livre, atuam de modo independente e colaborativo na proposição de novos artefatos e no seu aprimoramento. O trabalho na produção estes artefatos ocorre de modo distindo do esquema de produção tradicional. Seria este um elemento de um novo modo de se produzir?

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Estaríamos à beira do crash?

Uma das estranhas características das análises e do noticiário sobre a turbulência que a economia americana está passando é que os fenômenos são apresentados como se tivessem realidade física, ou mais precisamente, acompanhando o raciocínio de Mésáros, como se tivessem objetividade absoluta. Assim, as bolsas, o "mercado" surgem para estes analistas como coisas que, tendo uma dinâmica própria, se opusessem aos indivíduos, ameaçando-os.
Não seria este raciocínio, contudo, o fruto de uma visão fetichizada, já apontada por Marx? Os mecanismos de mercado que operam de modo "descontrolado" nas economias capitalistas não indicam, precisamente, a natureza das relações sociais neste estágio do capitalismo? Não deveríamos pensar as crises financeiras como um mecanismo de superprodução da mercadoria dinheiro? Se isto for verdade, então, poderíamos explicar - a crise da liquidez como o reflexo do fato de que a mercadoria dinheiro foi gerada sem a contrapartida produtiva. As bolsas transformaram-se em um gigantesco cassino. A bolha, na imagem preferida de muitos articulistas, desprendeu-se da sua base concreta e, carente de substância, pois que se tratava apenas de um fetiche, de um símbolo, explodiu.

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Os Canudos do José Celso

Uma montagem teatral do José Celso Martinez Correa é sempre um evento de natureza ímpar. No primeiro dia, quando saí do Espaço Cultural da Cidadania contra a Fome, onde a peça foi apresentada aqui no Rio de Janeiro, fiquei pensando sobre a montagem que variava desde o teatrão clássico até uma ópera moderna (o comentarista do The Globe, falava de ópera bufa) com fortes influências das montagens carnavalescas do Rio de Janeiro.

Já tinha visto várias montagens do Zé Celso. Todas fantásticas. A primeira, "Os pequenos burgueses" encenada no Teatro da Maison de France, foi para mim uma revelação. Conhecia a mais famosa obra de Gorki "A Mãe" e a revelação daquele drama da pequena burguesia russa, encurralada pelo medo da revolução e a opressão do czarismo serviu de paralelo para analisar vários ambientes tanto de minha família, que nem tão pequeno-burguesa assim era, como de amigos de escola. Acompanhei outras peças: Galileu Galilei, surpreendente que me fez tomar contato com Brecht, logo depois encenado com a peça "A Selva das Cidades".

Assim, depois de ver encenado o "Homem I", lembrei de Oscar Niemeyer, comentando a sua obra, em particular Brasília. "Você pode não gostar da minha arquitetura, mas uma coisa é certa, você nunca terá visto nada parecido". Assim como Niemeyer na arquitetura, o teatro para Zé Celso é invenção. É fazer diferente. Quem poderia imaginar que o texto pesado de Euclides da Cunha pudesse ser transposto com um viés tão moderno para o teatro? A montagem não linear traça com momentos de brilhantismo o paralelismo entre os acontecimentos completamente inundados tanto pela história oficial, com a sua verborragia inútil, quanto fisicamente, com o alagamento da região de canudos para a construção de uma represa.

A peça deve ser vista sob múltiplos ângulos. Como uma grande alegoria da História. Como não pensar em Canudos sem pensar em Guernica? Em Kosovo? Em Bagdad? Em Darfur? Estes acontecimentos ocorridos em momentos da história separados no tempo encontram-se na memória, nas lembranças e na comparação dos relatos das suas vítimas, dos registros históricos. Como se o espectro de Canudos persistisse, ainda que não tivesse restado um sobrevivente para contar a história. Mas, a história é recontada diariamente nos diferentes massacres, na violência perpetrada sobre as populações indefesas, presas fáceis, sejam do banditismo, dos fundamentalismos, e da violência policial. É como se houvesse um terrível coro das vítimas.

Os Sertões conforme recontado/relido por Zé Celso nos traz a confluência de fatos históricos que se encontra em outro plano. O plano da memória? O plano dos nossos medos? Os Sertões de Zé Celso reverberam nas Veredas de Guimarães. Ao falar sobre o Homem, sobre este Homem brasileiro, que interessante a plasticidade que assumem os corpos "imperfeitos", misturas de várias etnias. E que interessante a interpretação feita: pelo fato de não se definir em uma raça, somos ao mesmo tempo a soma de todas elas, mas também a sua superação dialética. Aquela dialética reversa que explica e captura o movimento detectado pelos modernistas antropofágicos de sermos a soma de todos os erros e nesta integração, a sua superação dialética. Esta superação que faz uma cultura nacional multicultural, antropofagicamente aberta a todas as outras. Interessante o tributo a Oswald de Andrade na referência à deglutição do Bispo Sardinha, como o início na nossa própria era.

Tal como Adriana Calcanhoto se reportava ao episódio de "As bacantes", vamos comer Zé Celso, vamos comê-lo cru!

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

A atualidade do Manifesto Comunista

Um dos capítulos mais interessantes das Aventuras do Marxismo de Marshall Berman fala da atualidade do Manifesto Comunista. Sempre achei admirável a retórica a e a veemência do Manifesto, mas não tinha ainda atentado para a sua atualidade focalizada por. Berman. chama a atenção para este fato, principalmente ao citar as palavras de Marx e Engels: “o constante revolucionamento da produção, a ininterrupta perturbação de todas as relações sociais, a infinita incerteza e agitação, distinguem a era burguesa de todos os períodos anteriores. Todas as relações fixas e rapidamente solidificadas, com sua coleção de idéias e opiniões veneráveis são varridas do mapa; todas as relações recém-formadas tornam-se obsoletas antes de terem tempo de se calcificar. Tudo o que sólido desmancha no ar, tudo o que é sagrado é profanado, e os homens são por fim forçados a encarar com sentidos sóbrios as reais condições de suas vidas e suas relações com os outros homens”. Além de ter motivado uma interpretação interessante de Berman, esta passagem nos faz refletir sobre a atualidade do Manifesto.
Pensar a atualidade do socialismo pode parecer algo fora to tempo, embora, é bem verdade as questões e os problemas propostos pelo capitalismo globalizado não tenham como ser resolvidos nos quadros da Sociedade do Capital, ainda não se conseguiu formar uma alternativa conseqüente nos quadros da esquerda para estes problemas.
Grande parte da esquerda, depois da queda do Muro de Berlin, ficou perdida sem pensar soluções, e não foram poucos que se deslocaram para o campo da direita ou quanto muito para o centro. Cabe, contudo uma pergunta. A luta pelo socialismo não estaria passando por uma nova fase?
A atual fase de aprofundamento da globalização, agora em regime planetário, fornece um vasto material para se pensar. Deleuze e Guatarri, no Anti-Édipo utilizaram a idéia da desterritorialização como um dos elementos para se entender o movimento da sociedade burguesa moderna. O capitalismo, já na sua fase descrita por Marx, e agora, caracteriza-se por um intenso movimento de desterritorialização e franqueamento de barreiras e fronteiras. A sua lógica é a da integração de processos e inclusão de economias e sociedades dentro do esquema geral do modo de produção capitalista.
O modo como esse processo ocorre com o aprofundamento da divisão do trabalho, e a conseqüente alienação do trabalhador, agora não apenas proletários, mas os profissionais liberais, artistas, cientistas, todos agora inseridos no esquema de vender o seu tempo, alienar parte da sua vida para garantir o seu consumo, seja como diz Marx, com bens necessários ao estômago ou a fantasia. Assistimos a um processo de alienação em escala mundial.
Sob outro aspecto, este processo de alienação, no aprofundamento da divisão do trabalho, acirra e estende o caráter fetichista e a transmutação das relações entre homens como relações entre coisas. Agora, o reino das mercadorias expandiu-se a ponto de incluir desde sapatos até artigos científicos. Tudo inexoravelmente se integra na lógica do capital.
Dialeticamente o sistema ao mesmo tempo em que tem necessidade de maior integração, ampliar as possibilidades de fluxos de capitais e de informações, constrói uma ampla rede de comunicação, que tem crescido de modo exponencial, e, em tese traz a potencialidade de comunicação e integração também dos movimentos sociais. Será que a rede pode tornar-se a rede de uma consciência globalizada?
Um exemplo interessante desta consciência globalizada está, em minha opinião, no modo pelo qual o sistema Linux tem sido produzido. Vale a pena ler uma pequena história do Linux no “Rebel Code: the Linux and the Open Source Revolution”, de Gly Moody. O modo coletivo pelo qual o Linux e outros componentes são produzidos, não sinalizaria uma nova maneira de produzir coisas? É bem verdade que se trata de produtos “intangíveis”, mas curiosamente há um comitê, ou um grupo de coordena, testa e valida as propostas encaminhadas e finalmente incorporadas ao kernel do sistema. O mesmo ocorre com os diferentes integrantes dos pacotes vinculados ao GNU-Linux, aderentes ao General Public Licence. Será que os tempos estão mudados?